Introdução

Introdução

Tarful Treventhor é um personagem interpretado por João Ernesto na campanha A Ira de Merlin.


Introdução
Relacionamentos
Biografia
Backstory
O Exílio de Tarful
Campanhas
Ira de Merlin | Temporada 1
Ira de Merlin | Epílogo
Curiosidades
Links

Aparência
Tarful é um anão da colina. Possuia 1,52 m, cabelos loiros dourados, olhos azuis claros. Ao longo da vida teve alguns cabelos famosos, o moicano, posteriormente o cabelo com coque e depois os cabelos trançados mais velho.

Possuia corpo atlético, sempre usava armadura pesada, escudo e um martelo com a cabeça de lula esculpida.

Personalidade
Tarful Treventhor passou a vida tentando preencher um vazio de origem com três pilares: Urlak, a fé em Lurkron e a forja. Por fora, era firme; por dentro, carregava uma fragilidade que escondia até de si mesmo. Seu maior defeito era um egoísmo travestido de altruísmo: ele realmente queria fazer o bem, mas também usava grandes causas como justificativa para agir por impulso, ferir pessoas e só perceber o dano depois. Isso se repetiu tanto em decisões cruéis quanto em suas relações mais íntimas.

Ele amava profundamente, mas quase nunca conseguia estar presente de verdade. Com Isaak, Aluvial, Zora e Sherry, o padrão foi o mesmo: afeto sincero, proteção falha e sempre alguma missão ocupando o espaço que deveria ser deles. Tarful também carregava uma culpa enorme pelos erros e mortes que causou, mas por muito tempo transformou essa culpa em mais uma peça da imagem de “homem que carrega o mundo”, sem realmente mudar. Só em Shadowhell, ao encarar a própria verdade e receber o perdão de Aluvial, começou uma transformação real.

No fim, Tarful foi um homem profundamente imperfeito: impulsivo, contraditório, capaz de grandeza e horror quase ao mesmo tempo. O que o salvou não foi a fé como poder, nem a Ordem, nem qualquer instituição — foi continuar rezando mesmo quando não havia garantia de sentido ou resposta. No fundo, foi isso que restou dele: não a perfeição, mas a persistência em tentar ser melhor.

"Todos somos ondas, grandes e pequenas"

Image

Tarful Treventhor, male hill dwarf cleric of storms, age 42, full body fantasy portrait, realistic oil painting, muscular dwarf, blond mohawk with gray streaks, braided golden beard, battle scars, dark navy and coral and crimson dwarven plate armor, massive storm warh

Relacionamentos

Família
Zora Traventhor
Irmão (morto)

Meneros Treventhor
Pai (Morto)

Ciela Shadowhorn
Mãe (morta)

Adrian Treventhor
Sobrinho

Beldor Treventhor
Irmão (Morto)

Beldorion Treventhor
Sobrinho (Morto)

Aluvial
Esposa (Morta)

Sherry
Esposa (Morta)

Aliados
Baldur Herter, Dorwen Briarfell, Jaquen H'gar, Vivaldi, Ksandro, Finnon Bolsas-Largas, Atom Briarfell Tenorion, Tannor Gain, Nephis, Hiena, Ronan, Pronator

Inimigos

Merlin, Nyarlathotep, Fidem Novaluna, Adrameleque e Anamelek, Rei Isaac de Azalen


Biografia

Backstory


Tarful é um anão que foi encontrado pelos clérigos de Lurkron, no Templo de Broksea, na ilha de Golsaar, localizada no Mar de Karduff, no ano de 1292, da Terceira Era.

Em um belo dia de outono, o dia amanheceu encoberto, como sempre foi para aquela época. Os mares revoltos, o suficiente para a vida que aquele povo estava acostumado. Os barcos foram para o mar, redes foram lançadas. Barcos partiam e chegavam na velocidade e segurança necessárias.

Por volta do meio dia, as coisas começaram a mudar. Pouco a pouco, o céu foi se fechando e uma chuva de cerrar os olhos. O comércio manteve-se funcionando, as pessoas mal se abrigavam, pois haviam se acostumado com a dureza das rochas, a força do sal e o respeito pelas águas. Para os incautos, aquilo era mais uma tempestade de outono.

As ondas cresciam, as gotas de chuva mais grossas, o granizo começava a tilintar no chão das ruas. As crianças brincavam na chuva, riam com aquela chuva estival e cinzenta. De repente, o céu começou a ganhar um tom carmesim, nuvens escarlates, como se o próprio céu estivesse sangrando por mil feridas.

Quando o mar estava mais convulsivo do que nunca, os céus se revoltavam contra própria existência. Ventos poderosos explodiam velas de navios, as marés trincavam as falésias, os próprios peixes pareciam emergir das profundezas para se banquetar com a carne dos vivos e dos mortos. Navios estrangeiros estavam tentando escapar e chegar ao porto, em segurança, mas em vão.

O Lorde Janrod Nafez estava auxiliando a retirada das pessoas, pegou um pequeno barco a vela e foi resgatar os navios junto com uma guarnição. O mar cada vez mais tempestuoso e revolto. A ventania arremessou madeiras e escombros.

Os habitantes, as pessoas e os soldados se refugiaram no templo para rezar pela proteção e calmaria de Lurkron. Fervorosos, molhados e o sal não era só do mar, que banhava aquele povo. Liderados por Urlak, a "Corda do Mar", meio elfo, cantaram, rezaram, atiraram seus pertences, seus animais no poço de Lurkron.

O céu enegreceu como sangue podre, envenenado e o escarlate do céu havia descido para as Águas. Alguns clérigos conseguiram ver o caos que estava no mar. Porém continuaram entoando seus cânticos. Uma luz magenta rasgou a camada das nuvens negras, uma voz grave e imponente falou, em um idioma que somente os clérigos mais graduados saberiam, mas estes registraram a frase: "O mar que conserva meu templo está limpo."

Várias pessoas não escaparam ao Dia das Águas Revoltas, ninguém nunca soube qual foi a causa, ou o mistério que envolveu a fúria de Lurkron. No dia seguinte, a maré trouxe corpos, pedaços de navios, peixes eletrocutados, correntes, cargas alagadas.

A chuva cessou e as gaivotas revoavam grasnando nervosamente. Urlak desceu com seus clérigos. A missão deles era encontrar feridos e levar para a praça para serem tratados. Uns poucos escaparam. Tudo que semeavam daquele mar, eram corpos. Um dos corpos era do Lorde Janrod Nafez. Lorde Janrod Nafez verteu-se em sangue, quando seu pescoço foi atingido por um pedaço de madeira. Foi embrulhado com cuidado.

Todos os corpos foram colocados em pequenos navios. Foram colocados sobre camas de sal, perfumes e tecidos. Todos tinham pedras rúnicas, com o símbolo de Lurkron, colocadas nos olhos. O jovem Lorde Janos Nafez, um rapaz de 12 anos, revoltado com a morte de seu pai, rancoroso pelo massacre com seu povo, criou uma casca em seu peito, uma cólera.

Quando os barcos eram colocados na praia, os clérigos enchiam os barcos com óleo. A maré recebeu os barcos como presentes. Urlak entoava a prece de Lurkron, com sua voz embargada:

"Não temais as tempestades, pois vós sois a minha tempestade!

Os trovões que correm nas minhas veias, são os raios que formam a fibra de vossos braços!

Nevasca nenhuma barrará vossas trilhas, pois o friúme polar de vossos espíritos é imparável 

O mar jamais secará, pois sua ferocidade jaz em seus corpos para toda eternidade.

Pois minha força será a tua força!

Cada oceano será vosso, no infinito de vossa fé!" - Prece de Lurkron

 Os barcos seriam empurrados pelos familiares. A medida que a deslizavam sobre a seda do mar límpido, rumo a passagem do Cabo e ao Mar aberto. No alto das falésias, os clérigos abençoavam os braseiros com uma espécie de sal. As chamas brilhavam num tom verde-jade brilhante. As flechas, mal beijavam o ar quente. E eram disparadas em fitas esverdeadas rumo aos barcos. Que imediatamente arderam verdejantes e poderosas.

Ao longe eram avistadas Baleias Orcas, que eram os seres que levavam as almas dos mortos no mar, para o Oceano Infinito. Em meio aos afundamentos, incêndios e pequenas explosões, Urlak bradou:

"O que está morto não pode morrer, mas renasce mais forte e mais vigoroso!"

Quando os últimos barcos afundavam e rastros de chamas flutuavam sobre as espumas, um cesto flutuava na direção da praia. Um pequeno cesto trançado com uma tampa. Urlak, curioso, estendeu sua mão até uma bolsa. Bradou algumas palavras, moveu os braços e arremessou uma rolha no mar. Tomado por uma magia divina, caminhou levemente sobre a água e alcançou o cesto. Dentro dele, havia um bebê, que não deveria ter um mês de vida. Mirrada, branca, com cabelos loiros como palha e olhos como tempestade de gelo.

Um presságio? - disse para si mesmo, pegando o cesto e levando para a praia.

Recolheu o cesto, caminhou de volta para a praia. A parte de baixo e externa do cesto, tinha uma tinta esquisita, uma tinta de algum tipo de polvo.

Aquele bebê, se tornaria Tarful.

O Exílio de Tarful

Tarful deixou Urbruk aos dezessete anos com o cheiro de sal queimado ainda na roupa e as palavras do mestre ecoando como maré baixa dentro do peito.

"Ache os observatórios, Tarful."

Urlak havia dito isso com a voz de quem já não esperava ver a resposta. E Tarful havia saído — não com pompa, não com missão formal, não com a bênção de nenhum conselho. Havia saído como quem foge e como quem busca ao mesmo tempo, sem ter certeza de qual dos dois era mais verdadeiro.

Os primeiros anos foram de madeira e ferro. Trabalhou como marinheiro em rotas comerciais que cruzavam o Mar de Karduff — enchendo redes, carregando caixas, consertando mastros, dormindo nas decks com o barulho das ondas como única oração que se permitia. Aprendeu a ler o tempo no céu antes de ler os textos da Ordem. Aprendeu que o sal queima mais nas mãos do que no rosto, e que homens no mar têm uma honestidade que as catedrais raramente oferecem.

Em terra, trabalhou como ferreiro. Havia aprendido o ofício nos anos de Urbruk, entre as forjas que ficavam próximas ao porto, e descobriu que o trabalho com o metal era uma forma de silêncio produtivo — o tipo que não exige que você explique a ninguém o que está pensando enquanto bate no ferro quente. Prestou serviços braçais em cidades de Namar que nem se recordava de ter passado. Dormiu em estalagens baratas. Comeu o que havia.

Quando extremamente necessário — quando havia feridos demais, mortes demais, ou um pedido que não conseguia recusar — prestava serviços religiosos. Mas fazia isso em silêncio, sem anunciar a fé, sem usar o nome de Lurkron como cartão de apresentação. A fé de Tarful era um assunto entre ele e o mar. Ninguém precisava saber que estava ali.

Essa arrediosidade não era amargura. Era cautela. Era a memória de figuras esguias e sombrias entrando em Urbruk à noite, de conversas abafadas que o menino não entendia e que o adulto havia aprendido a temer. A Ordem havia sido corrompida por dentro — Sylren havia dito isso. Urlak havia visto isso. E Tarful havia crescido numa ilha onde o palácio abria suas portas para as trevas enquanto o templo rezava sem saber.

Confiava pouco. Observava muito.

Nos mercados, nas tabernas, nas docas, nos scriptorias de cidades que nunca aparecem nos mapas importantes — Tarful fazia sempre a mesma pergunta, de formas diferentes, para pessoas diferentes: você já ouviu falar de observatórios? Já viu o símbolo de Lurkron em algum lugar que não fosse um templo? Conhece alguém que busca os antigos registros da Ordem?

A maioria não sabia de nada. Alguns sabiam pouco. Raramente, muito raramente, alguém sabia algo que valia a pena.

Foi assim, por anos — ferreiro de dia, marinheiro quando havia vento, clérigo quando não havia escolha, e investigador silencioso de uma ordem que havia se despedaçado antes que ele tivesse idade para entender o que estava perdendo.

Eventualmente, os rastros convergiram. Um nome surgiu mais de uma vez, em bocas diferentes, em cidades diferentes. Uma Irmandade. Pessoas com sangue antigo, descendentes de famílias da Primeira Era, que lutavam contra algo que a maioria preferia fingir que não existia.

Tarful os encontrou da única forma que sabia encontrar as coisas: seguindo o rastro até o fim, sem anunciar que estava vindo.

Campanhas

Ira de Merlin | Temporada 1


Tarful Treventhor foi encontrado num cesto flutuante no Dia das Águas Revoltas — um bebê sem nome, sem origem, sem passado — e criado pelos clérigos do Templo de Broksea em Urbruk pelo meio-elfo Urlak, a Corda do Mar. Cresceu entre a forja e a fé, aprendeu que o metal e a prece obedecem às mesmas leis, e partiu aos dezessete anos carregando apenas as últimas palavras do mestre moribundo: "Ache os observatórios, Tarful." Passou anos como marinheiro e ferreiro, guardando a fé de forma discreta e pessoal, investigando silenciosamente qualquer rastro da Ordem de Lurkron, até que os caminhos convergiram e ele encontrou a Irmandade da Alvorada — um grupo de indivíduos com sangue dracônico que havia décadas lutava contra Merlin. Foi o começo de tudo.

Nos primeiros reinos, Tarful descobriu que a jornada o testaria não apenas em batalha, mas em consciência. No segundo Reino Oculto foi onde conheceu a Irmandade de verdade — viu Baldur Herter se sacrificar e ser ressuscitado por Dorwen, defendeu Frostbeard diante da deusa Demeter, e percebeu que aquele grupo carregava o peso do mundo de formas que ele ainda não compreendia. No terceiro Reino Oculto — nossa realidade, sem magia — ele e Arslan invadiram uma torre dos Templários disfarçados de mãe e bebê. Em Veneza, foram dançarinos. Num avião da Segunda Guerra, lutaram contra nazistas voadores e saltaram de paraquedas sobre Londres. Em cada era, Tarful estava sem seus poderes — sem Lurkron, sem o martelo consagrado — e descobriu que mesmo despido de tudo que havia construído como clérigo, ainda era capaz de agir. Essa percepção custou caro e valeu muito.

O maior golpe pessoal dos primeiros arcos veio em Masmam — e depois na ilha dos Mapas. Em Masmam, Tarful encontrou o observatório onde Zora havia aprisionado em seu próprio corpo a entidade Nyarlathotep para proteger a Ordem. Libertou-o com Raio Guia, luz do sol e rezas — e Zora passou a caminhar ao lado dele como aliado, conselheiro e companheiro. Na ilha dos Mapas, um ritual envolvendo a Cabra Carmesim, Arslan, Vivaldi e o próprio Zora matou Adrameleque — mas o demônio, em seu último ato, possuiu Fidem Novaluna. O que se seguiu foi a devastação de Lunacavas, o julgamento de Fidem em Toria com Tarful como advogado de defesa, e a punição que Dorwen lhe impôs pelo fracasso em capturar Fidem: uma castração física, aceita com ressentimento mas aceita. Mais pesado ainda foi descobrir, em Draconis, que Zora era seu irmão — e que a possessão de Nyarlathotep havia apagado essa memória. Dois irmãos reunidos pela história de um deus aprisionado, com verdades que deveriam ter sido ditas décadas antes.

O episódio do bebê dos elfos de Menzoberranzan marcou Tarful de uma forma diferente — não pela magnitude, mas pela precisão com que expôs seus defeitos. Usando a magia Detectar Bem e Mal com Lurkron amaldiçoado distorcendo a leitura, convencido por Vivaldi, ele acertou com o martelo a figura de capuz mais próxima. Era o bebê do casal. Ficou pensativo por dias. Quando o casal apareceu em Rindatom para fazer a denúncia diante de Atom, Tarful não negou — contou o que havia feito, assumindo o que havia feito, esperando punição. Atom pagou a indenização e não o puniu formalmente. Mas o anão que acreditava ser exemplo de retidão havia sido confrontado, mais uma vez, com a distância entre a fachada e o que havia por baixo dela.

A história com Aluvial começeu com uma declaração atrapalhada — Vivaldi contando para a tripulação do navio em tom de piada os sentimentos de Tarful, deixando-o sem saída e Aluvial levemente constrangida. O pedido veio depois, no retorno de Silentium, depois que ela sobreviveu à inundação. O casamento foi numa igreja de madeira em Breland, celebrado por Vivaldi que nunca havia officado uma cerimônia antes. Naquela noite, Tarful não consumou o casamento — por medo e vergonha, mesmo após a restauração da castração. No dia seguinte, as forças de Merlin atacaram e Aluvial foi capturada. O silêncio que se seguiu durou semanas. Em Entreterium, Tarful escreveu um soneto para ela que atravessou a distância entre os reinos — e não recebeu resposta. O silêncio continuou. E continuou. Até que em Skuggheimr, com a memória de volta, Aluvial se sacrificou para lacrar Nyarlathotep — morrendo nos braços de Tarful sem despedida, com palavras sobre dever e sacrifício, antes que ele pudesse dizer o que havia guardado para depois.

O casamento com Sherry foi um acidente de proporções cômicas e trágicas ao mesmo tempo. A palavra "Astunastá" pronunciada pelo líder das sombras durante uma negociação diplomática em que Tarful estava disfarçado de orc — e aceita sem que ele soubesse o significado — selou um acordo de noivado que não podia ser quebrado sem condenar a cidade orc. A cerimônia aconteceu naquela noite, com fogueira e testemunhas, e um beijo que gerou gravidez — porque a espécie de Sherry funcionava de forma diferente. Dias depois, Tarful descobriu que esperava ao menos quatro filhos, pois quatro significavam bênção no casamento na cultura dela. No mesmo dia em que Aluvial morreu nos braços de Tarful, um clérigo encontrou o corpo de Sherry na montanha — junto com três corpos pequenos. Três. Não quatro. Na cultura de Sherry, isso significava o oposto de bênção. Tarful os enterrou. Enterrou os dois. Realizou as preces de forma contida. O que não sabia — e nunca saberia — era que havia um quarto filho. Joe havia ouvido um choro na caverna. Havia levado a criança. Tarful enterrou três e havia um quarto no mundo — e a bênção que Sherry havia esperado existia, apenas num lugar que ele nunca alcançaria.

Isaak foi a ferida que nunca fechou completamente. O garoto élfico de Lunacavas que havia pedido para ser aprendiz em Corus, batizado por Tarful nas águas da praia com as próprias mãos — afogado e trazido de volta, consagrado na fé de Lurkron. Tarful não sabia que era de Lunacavas. Não sabia que sua família havia sido morta pela devastação causada por Fidem possuído. Em Draconis, negligenciou o aprendiz — confiando nas ondas e em Lurkron para mantê-lo bem, ocupado demais com os eventos do reino. Isaak perdeu a irmã. Perdeu o mestre por negligência. E caiu nos braços de Anamelek, a Demônia Lunar. Em Menzoberranzan, o reencontro foi melancólico — sem combate, sem acusações diretas. Tarful se culpou em voz alta. Isaak ouviu e partiu. E Tarful guardou uma promessa silenciosa que não disse a ninguém: ajudaria o aprendiz a obter o que Anamelek exigia, e um dia encontraria um caminho para libertá-lo. Uma esperança sem nome, guardada num lugar onde nem a fé de Lurkron alcançava facilmente.

A morte de Zora pelas mãos de Adrian possuído por Nyarlathotep foi o golpe mais pesado de Skuggheimr — e talvez de toda a campanha. O irmão que havia sido selado em Masmam, libertado por Tarful com Raio Guia e luz do sol, que havia caminhado ao lado dele por reinos sem revelar que tinha um filho, que havia participado do ritual contra Adrameleque, que havia confirmado o plot da família Treventhor com alegria e peso ao mesmo tempo — foi morto pelo sobrinho sem controle, num ato deliberado de Nyarlathotep usando Adrian como instrumento. Tarful descobriu depois que a possessão havia terminado. Perdoou Adrian imediatamente — era Nyarlathotep, e Tarful sabia melhor do que ninguém o que significa carregar o peso de ações que as trevas colocam nas suas mãos. Mas o peso de Zora era de Tarful carregar. Naquela mesma noite, num pico de montanha ao qual criaturas aladas de Shadowhell o haviam levado, Aluvial apareceu em forma de espírito — e Tarful disse em voz alta, pela primeira vez, o que havia guardado por anos: que era egoísta, mesquinho, que fazia atos ruins sob pretextos bons. Ela disse que o perdoava. E flutuou para longe como uma borboleta azul.

Em Azalen, de volta de Shadowhell, a escolha final chegou. Lyanna — a jovem que carregava o sangue da imperatriz Beatrix sem saber — havia se tornado A Senhora da Dor. Podia usar esse poder para matar Merlin. O preço: o legado da Irmandade seria esquecido. Baldur Herter tinha outro plano: os Escolhidos se sacrificariam para destruir as pedras-chave, mas alguém ficaria para manter o legado vivo. Tarful estava pronto para ir — era a decisão que fazia sentido, a morte que havia desejado desde Skuggheimr. Dorwen o interrompeu. Retirou as adagas, a capa, um saco de dinheiro — e chorando pediu que ficasse. Que nem sempre havia gostado dele. Mas que sabia que era uma boa pessoa que viveria anos suficientes para escrever o que precisava ser escrito. E pediu que protegesse a princesa Venatrix — a filha dela e de Atom, com menos de um ano de vida, num reino oculto que os portais silenciosos não deixavam mais alcançar. Tarful disse que ficaria. A vontade de partir ainda estava lá — enorme, quase física. Mas havia dois deveres novos que não podia deixar para trás.

Dorwen, Jaquen e Ronan atravessaram o portal. Baldur iniciou o processo. As pedras-chave foram destruídas. Todos os membros da Irmandade da Alvorada foram mortos — Adrian entre eles, que havia sido nomeado herdeiro de Tarful após a morte de Aluvial, e que se sacrificou ao lado dos companheiros no momento final. Lyanna esvaiu-se com o sacrifício — A Imperatriz morreu junto. Merlin foi obliterado da existência. E então toda a magia cessou. Os deuses desapareceram. Os itens mágicos perderam o poder. Os observatórios ficaram silenciosos. Tarful fez a reza de Lurkron — as mesmas palavras que Urlak havia entoado sobre os barcos ardentes no Dia das Águas Revoltas, as mesmas que havia repetido sobre os trezentos e vinte e seis mortos em Eredor, as mesmas que carregava desde que havia aberto os olhos num cesto flutuante. Enquanto rezava, o símbolo sagrado de Lurkron em suas mãos perdia todos os traços mágicos. Um por um. Até ser apenas metal. Tarful terminou a reza assim mesmo.

Os anos que se seguiram foram de governança, pesquisa e escrita. Tarful reuniu seguidores, fortaleceu Azalen, espalhou a palavra da Irmandade por onde podia alcançar — não como religião, mas como memória. Tornou-se pesquisador sobre os deuses desaparecidos e as pedras de Lumen. Tentou todos os caminhos para chegar até Venatrix no segundo Reino Oculto — e falhou em todos. Deixou uma carta. Manteve uma relação de amizade com os parentes vivos de Aluvial em Celestia. Não se casou novamente. Nomeou Adrian herdeiro. E quando as evidências apontaram que talvez pudesse trazer os deuses de volta, partiu em segredo para o mar — sem dizer a ninguém, como havia chegado ao mundo.


Ira de Merlin | Epílogo


Tarful chegou a Atlântida com trezentos e cinquenta e oito anos — velho, cansado, mas intacto em propósito. Encontrou no fundo do oceano o que cento e cinquenta anos de pesquisa haviam prometido: o Oricalco, o minério capaz de reminescenter os deuses, a magia e os portais. Deixou as instruções gravadas num dispositivo que aprendera a reconhecer nos filmes de Eberron. Disse o que precisava ser dito — sobre Platão, sobre os canais de Atlântida, sobre o cataclisma que viria com o processo. E no final, disse o que não havia conseguido dizer a tempo em nenhum outro momento: que queria ter mais tempo para rever Lurkron, para proteger Venatrix, para resgatar os amigos, para ver os olhos verdes e os cabelos forjados de entardecer de Aluvial.

"Eu sou Tarful Treventhor e já escuto o sonar das orcas. Perdoem-me. Eu falhei." - Tarful

Os aventureiros Venatrix, Bohr, Iroh, Arthur Felix de Lion, Hyperion e Mephysto chegaram a Atlântida séculos depois. Encontraram a mensagem. Seguiram as instruções. Usaram o Oricalco. A magia voltou — os portais, os deuses, tudo o que havia sido apagado no dia em que a Irmandade se sacrificou. Venatrix — a criança que Tarful havia prometido a Dorwen proteger e nunca conseguido alcançar — foi quem liderou o grupo que completou o que ele havia deixado inacabado. A carta que ele havia escrito a ela, encontrada séculos depois no Salão da Alvorada em Azalen, havia chegado aos olhos certos. O último pedido do último Guardião havia sido cumprido — não por ele, mas por quem ele havia tentado proteger.

Com Adrian sacrificado junto com os demais membros da Irmandade, e sem Tarful ter se casado novamente, o trono de Azalen passou para seu irmão Beldor — o outro irmão Treventhor, cujo nome os registros preservaram sem detalhes. Com a idade avançada de Beldor, o trono passou para seu filho Beldorion. Um cataclisma nas montanhas soterrou Beldorion e seus filhos — e a brecha que se abriu foi aproveitada por Isaak: o aprendiz batizado nas águas de Corus décadas antes, que havia caído nos braços de Anamelek, que havia envelhecido num corpo em decadência, e que reivindicou o trono de Azalen para si em idade avançada. Com a morte de Isaak, o trono passou para o conselho da teocracia. Num quarto no segundo Reino Oculto, Joe havia criado um menino que não sabia quem eram seus pais — e o bisneto desse menino jogaria numa outra campanha séculos depois, sem saber que carregava o sangue de Sherry e de Tarful Treventhor. E em algum lugar no fundo do oceano, numa forja de Atlântida soterrada pelo mesmo terremoto que ele havia desencadeado, havia um anão que havia aprendido a rezar mesmo sem deus, a caminhar mesmo sem chão, e a amar mesmo sem esperança de que o amor fosse respondido da forma que merecia.

O que está morto não pode morrer. Mas renasce mais forte e vigoroso. - Tarful

Curiosidades

O nome Tarful veio em homenagem ao personagem wookie de Star Wars, Tarfful.

Links

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Apelidos Martelo da Tempeste

Títulos Rei de Azalen

Onda de Lurkron

Último Guardião

Pronomes Ele/Dele

Raça Anão da Montanha

Classe Clérigo
Tempestade

Idade 352

Idiomas Anão, Incomun, Lurkroniano e Dracônico

Locais Urbruk
Arquipelago de Golsaar

Azalen
Puglia

Jogador João